Até o final de 2016, o Brasil contava com mais de 11 mil locadoras, sendo 3.150 delas (28,1% do total) donas de uma frota superior a nove veículos. Outros números que chamam a atenção para esse mercado dizem respeito à parcela de automóveis e comerciais leves emplacados em 2016: dos 1.988.601 registrados, 217.848 foram adquiridos por locadoras. Ou seja, com elas estão 10,95% de todos os veículos novos que começaram a rodar no país no último ano. Extraídos da pesquisa anual da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA), esses dados indicam quão relevante é a participação dessas empresas quando se fala de mobilidade urbana.

Em sua contribuição ao WeMuv Summit, organizado pela Easy Carros e que teve apoio de Cabify e da Ticket Log, o CEO da Movida falou sobre a evolução da empresa frente aos novos desafios do mercado automotivo e adiantou como o grupo tem contribuído para transformar a cultura do brasileiro, que ainda preza muito pelo carro próprio e, com isso, acaba contribuindo para elevar os níveis de congestionamentos nas grandes cidades. “A penetração do aluguel de carros é ainda 10 vezes menor no Brasil do que em países mais maduros. A gente vê que mesmo na crise as pessoas continuam trocando de carro porque querem andar de carro novo”, diz Renato Franklin. Otimista, ele ressalta que exatamente por conta desse cenário ainda há muito o que se explorar por aqui.

Pensando em democratizar o aluguel de carros e aumentar sua penetração com o consumidor final, a Movida tem melhorado sua oferta e facilitado o acesso aos seus serviços. De acordo com Franklin, um exemplo foi a percepção de que era preciso ir além do carro popular 1.0 e sem ar condicionado, características comuns há alguns anos. “O mercado não era para pessoa física. Quando você coloca um carro vip, um Audi ou Mercedes na porta, a pessoa entra por curiosidade. Além disso, fomos a primeira empresa a lançar um aplicativo mobile e a colocar roteador Wi-Fi no carro de aluguel. A gente sempre tenta enriquecer a experiência desse cliente”, destaca o CEO.

Além de elevar o conforto dos carros disponíveis para aluguel e de usar a tecnologia a favor, como com a criação de aplicativo e a disponibilização de Wi-Fi, a locadora optou pela conveniência: aumentou para 27 horas “a diária” de um automóvel (ou seja, os clientes pagam por 24h e ficam com o carro 3h a mais) e criou novos serviços. Um deles foi o Movida Vip, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. “Antes as pessoas preferiam esperar na fila do táxi porque não queriam pegar uma van e perder 20 minutos até a locadora. Aí colocamos nossos carros no estacionamento. Hoje, é mais rápido sair e pegar o carro da locadora no estacionamento do que esperar por um táxi”. Franklin ressalta que esse é típico exemplo de uma solução que não requer tecnologia.

De olho nas novas gerações

Criada em 2006 e adquirida pela JSL em 2013, a Movida ganhou fôlego para espalhar filiais pelo Brasil ao visualizar um grande horizonte pela frente. “O jeito como a gente lida com carro hoje não é a forma como lidaremos daqui a uns 5, 10 anos. O jeito e a forma, eu não sei. O que podemos fazer agora é melhorar e automatizar esse uso para trazer mais negócios para o dia a dia”, explica Renato Franklin. “Continuamos vendo que o mercado é gigantesco. Essa é a vantagem de um país imaturo. Tem espaço para correr e acelerar”, completa.

A meta do CEO é dobrar a empresa, que teve receita de cerca de 2 bilhões em 2016, dentro dos próximos cinco anos. Para isso, além de se diferenciar da concorrência, ela tem se mostrado aberta a influenciar positivamente os jovens. A locadora mais uma vez levará ações com o tema mobilidade ao Rock in Rio, que acontece entre 15 e 24 de setembro, e lançou no último mês de julho o Movida Labs. Nesta iniciativa, startups são convidadas a desenvolver e apresentar soluções inovadoras para melhoria de processos, impulsionando assim o aluguel de carro, a gestão de frotas e a venda de carros seminovos.