Se você é do tipo de pessoa que se preocupa com economia de combustível do seu carro e preza por veículos menos poluentes, então precisa conhecer o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV). Sob responsabilidade do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) em parceria com o Programa Nacional da Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural (CONPET) e com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ele reúne dados úteis para que consumidores possam comparar automóveis. Além disso, serve para estimular as montadoras a produzirem e a importarem carros mais eficientes e econômicos.

Por conta de seu programa de adesão voluntária na época, o PBEV Veicular começou no ano de 2008 com cinco montadoras e apenas 54 modelos inscritos. Graças a incentivos fiscais garantidos pelo programa Inovar-Auto, para 2017 já são cerca de 900 modelos e versões enquadradas nos testes – número que representa 100% dos carros comercializados no país. “As mudanças demoram para ser percebidas e consideradas pelo consumidor porque tudo que gira em torno do mercado automotivo é muito conservador. Como no início poucas marcas faziam, havia muitas lacunas e dúvidas. As pessoas não conseguiam comparar”, explica Leandro Mattera, consultor automotivo e sócio-fundador do Portal AutoVídeos.

Mas o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular vem aos poucos ganhando lugar da vida dos brasileiros, sobretudo antes de comprar um veículo. Segundo Mattera, a recente crise econômica e política contribuiu para mudar os hábitos dos brasileiros, que nos bons tempos do país não davam tanta atenção para o consumo de combustível. “Com o aumento dos juros, inflação e desemprego, as pessoas se tornaram mais criteriosas. Elas estão valorizando aspectos mais racionais da compra, entre eles o custo de manutenção e o consequente gasto com combustível. Afinal, tão difícil quanto comprar é manter o bem”, esclarece Mattera

Saiba como “ler” a etiqueta do INMETRO

Conforme modelo a seguir, a etiqueta é dividida em quatro partes:

1) Garante informações gerais sobre o veículo (modelo/versão, câmbio etc.) e, mais acima, o ano e a categoria correspondente a ele (nesse caso, ele se enquadraria em “Esportivo”);

2) Mostra a tabela padrão de “A “ (mais eficiente) a “E” (menos eficiente) e, ao lado, a nota aferida ao veículo dentro da sua categoria (A), a classificação dele entre todas as outras categorias (B) e quanto emite de gases em comparação ao veículo com pior resultado geral (C);

3) Apresenta a autonomia com Etanol e Gasolina – isto é, quanto faz com um litro do respectivo combustível -, e também mostra a emissão de dióxido de carbono (CO2).

4) Por fim, traz os órgãos que regulam o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV).

etiquetagem texto

Veja como usar a etiqueta do INMETRO a seu favor

Todos os carros precisam sair de fábrica com a etiqueta. Ela é similar à que encontramos em geladeiras, entre outros eletrodomésticos da linha branca, e vem colada geralmente em um dos vidros traseiros. Além disso, os consumidores podem conferir a classificação completa nas páginas do INMETRO e do CONPET e aproveitar para comparar modelos da mesma categoria – ao todo, são 14 categorias: microcompacto, subcompacto, compacto, médio, grande, esportivo, utilitário esportivo compacto, utilitário esportivo grande, extragrande, comercial leve, minivan, fora de estrada grande, picape e carga derivado de veículo de passageiro.

Para ficar clara a importância dessa comparação e o quanto ela é favorável para o seu bolso, o INMETRO explica que é possível encontrar grandes disparidades em veículos da mesma categoria, isto é, diferenças de até 2 ou 3 km rodados com um litro de combustível. Na ponta do lápis, isso pode representar uma grande economia no final do mês e uma fatia considerável do preço total pago no carro após um ano. O INMETRO ressalta que quanto mais a indústria souber que os consumidores prezam por eficiência energética (consumo menor) tanto quanto consideram pontos como design, acabamento e tecnologia como base de decisão para compra, mais se esforçarão para tornar seus veículos econômicos.