Os carros como você conhece e utiliza hoje podem estar com os dias contados. Afinal, vez ou outra surgem notícias sobre a grande revolução que se aproxima. A realidade é que empresas de diversos segmentos correm contra o tempo para desenvolver veículos que dispensem a necessidade de motoristas, entre elas Google, Uber e a Oxbotica, companhia inglesa de inteligência artificial que está liderando um consórcio justamente com essa finalidade. Resta apenas saber quem cruzará a linha de chegada primeiro, já que o grande desafio reside no quesito segurança – curiosamente, são os motoristas humanos de outros carros, além dos demais obstáculos comuns das ruas e avenidas, que podem colocar em risco passageiros de veículos guiados por softwares.

Visando “diminuir o número de acidentes de trânsito, garantir que as pessoas tenham mais tempo livre e reduzir a emissão de gases nocivos ao meio ambiente”, a Google foi uma das primeiras empresas a apresentar um plano para a criação de um carro autônomo, em 2009. Desde então, abriu a Alphabet para liderar as pesquisas e, em 2016, passou a condução do projeto para a Waymo (união de “way” e “mobility”, tradução para “caminho” e “mobilidade”). Essa empresa independente trabalha para que a Google, ao invés de desenvolver seu próprio carro, venda a tecnologia para montadoras. O aprimoramento gradual de sensores superiores e nas extremidades do veículo, motores elétricos e sistemas eletrônicos permitiram que os autônomos da gigante da internet rodassem 3,7 milhões de quilômetros pelos Estados Unidos em sete anos. Nesse ritmo, o plano é comercializar o software após 2020.

Outra que já se arrisca nas ruas de Pittsburgh e de São Francisco, nos EUA, é a empresa Uber. Na primeira cidade, ela usa o Ford Fusion Hybrid; já na segunda, utiliza unidades do SUV Volvo XC90. Dotados de de câmeras, lasers e radares para o monitoramento em 360 graus, os modelos integram a frota comercial da Uber nesses locais (atendendo apenas moradores da cidade), mas, por questão de segurança e falta de autorização legal, ainda rodam com um motorista e com um engenheiro para casos de emergência. “São Francisco tem nuances próprias, como mais bicicletas nas ruas, tráfego mais intenso e ruas mais estreitas”, pondera o diretor de tecnologia avançada da Uber. Anthony Levandowski ressalta justamente os ditos riscos externos à aplicação da tecnologia, a qual ainda não dialoga com periféricos (obstáculos no percurso).

 Frota autônoma que se aproveita de recursos externos

Saindo dos Estados Unidos e indo para o Reino Unido, na Europa, o consórcio DRIVEN avança no tema ao não desconsiderar todos os desafios englobam carros autônomos. Liderado pela Oxbotica, que tem sede na cidade Oxford e que já levou carros sem motorista às ruas, o projeto busca o nível 4 de autonomia, isto é, conectar uma frota de veículos que possa compartilhar informações entre si e que também leve em conta fontes externas, como os sistemas de controle de tráfego. “Nenhuma empresa, grupo ou consórcio de especialistas em autonomia veicular jamais tentou o que o DRIVEN está planejando nos próximos 30 meses”, afirma o Dr. Graeme Smith, diretor executivo da Oxbotica.

Até 2019, data estipulada para o lançamento de uma frota de seis veículos intercomunicáveis equipados com o Selenium, o software da Oxbotica, o DRIVEN vai trabalhar com temas como “comunicação e compartilhamento de dados entre veículos conectados e Modelagem de Seguros de Veículos Conectados e Autônomos: perfil de risco e os novos desafios de cibersegurança que este volume de compartilhamentos de dados trará”. Políticas comuns de segurança e privacidade, por exemplo, são assuntos que precisam estar na pauta das empresas que querem uma real implatação comercial de veículos autônomos.

“Começando em Oxfordshire [condado no sudoeste da Inglaterra], já estamos pensando em como os veículos autônomos cabem dentro de um plano de transporte moderno para Oxford e Didcot Garden Town”, explica o Dr. Rob Buckingham. Ele lidera o RACE, um Centro de Aplicações Remotas em Ambientes Desafiadores vinculado à Autoridade de Energia Atômica do Reino Unido (UKAEA). Além da RACE e da Oxbotica, o consórcio reúne o Oxford Robotics Institute, a re/seguradora XL Catlin, a Nominet, a Telefonica O2 UK, a TRL, o Oxfordshire County Council, a Transport for London e a Westbourne Communications.

Para levar o DRIVEN adiante nesses 30 meses, essas empresas têm à disposição um investimento de 8,6 milhões de libras do Centro de Veículos Conectados e Autônomos e entregue por meio da Innovate UK, órgão vinculado ao Departamento de Negócios, Inovação e Competências do governo do Reino Unido. Vale ressaltar que após essa frota autônoma estiver rodando em áreas urbanas e em autoestradas, a prova de fogo será uma viagem de Londres a Oxford, percurso com quase 100 quilômetros e que pode ser feito em aproximadamente 1h30.