Se conscientizar pedestres e motoristas era apenas uma missão da iniciativa pública até pouco tempo, o que vemos agora são ONG’s e empresas privadas mostrando que querem colaborar com esse cenário tanto quanto órgãos dos governos federal, estadual e municipal. Bom para o trânsito e, por tabela, ótimo para a reputação das marcas de maneira geral. Casos como o da organização sem fins lucrativos Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), responsável pelo novo movimento Maio Amarelo e do Porto Seguro Auto, que realiza a campanha Trânsito+gentil desde 2010, têm mostrado que o zelo à vida no trânsito está ganhando cada vez mais aliados.

Nos mesmos moldes de Outubro Rosa (câncer de mama) e Novembro Azul (câncer de próstata), o movimento Maio Amarelo (que tem grande apoio da iniciativa privada, inclusive) visa “chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo”. Para isso, organiza palestras, intervenções urbanas e diversos outros eventos ao longo do mês. Segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), que sinalizou o período entre 2011 e 2020 como a “Década de Ações para a Segurança no Trânsito”, a estimativa é que 1,9 milhão de pessoas no morram no trânsito em 2020 – seria assim a quinta causa de mortes no mundo. Isso denota que não existe momento mais propício para ações como a Maio Amarelo.

E para o Brasil contribuir cada vez menos com as estatísticas da ONU – atualmente, ele é o quinto no ranking mortes no trânsito -, a campanha Trânsito+gentil leva comerciais à TV, spots ao rádio, anúncios a revistas e jornais, além de ações a ruas, teatros, pedágios, shoppings e parques, para fomentar um trânsito cada vez mais cuidadoso e estimular a prática da gentileza entre motoristas. De acordo com Jaime Soares, superintendente do Porto Seguro Auto, esse projeto mostra que é possível evitar situações estressantes no tráfego por meio de atitudes simples, como dar passagem, não buzinar, não cometer pequenas infrações, ser mais tolerante no trânsito, evitar situações que geram conflitos e não promover e/ou entrar em provocações e discussões.

Mas será estimular boas práticas no trânsito é a única motivação das empresas?

“Essa [conscientização de condutores] é uma causa relevante a todos e retrata a nossa missão. Entendemos que esse tipo de relacionamento com os públicos é a ponte mais sólida que podemos construir”, afirma Jaime Soares. E sobre essa “ponte” construída pelo Porto Seguro Auto – trocadilhos à parte – não para de passar gente. “Conquistamos mais de 660 mil apoiadores na página do Facebook e de 200 mil no Twiter. Os vídeos do Youtube registraram mais de 2 milhões de visualizações e os adesivos, famosos ícones da campanha, registraram mais de 9 milhões de impressões”, conta ele. Esses números mostram que abraçar uma causa que verdadeiramente tenha relação com o negócio pode trazer bons frutos para as empresas e, sobretudo, à sociedade.

Ainda segundo o superintendente do Porto Seguro Auto, a campanha Trânsito+gentil não trouxe apenas exposição na mídia de uma maneira mais nobre. Ela possibilitou também que a empresa implantasse um incentivo prático no negócio, ou seja, conceder 7% de desconto na contratação ou renovação do seguro para quem contasse com um bom histórico no trânsito. “Entendemos que os motoristas sem pontos na carteira são mais cautelosos e, desta forma, promovem mais a gentileza no trânsito. Por isso, queremos valorizar essas atitudes. Para a concessão do desconto, é avaliada a pontuação da CNH do principal condutor do automóvel”, explica Jaime Soares.

Campanhas de trânsito também podem (devem) ser bem-humoradas

Mais do que fomentar um Trânsito+gentil, a campanha do Porto Seguro Auto pede também para que se “Deixe o Ogro em Casa”. O objetivo dessa ação é mostrar ao motorista de maneira cômica e engraçada que ele pode escolher não ser visto como alguém que não está nem aí para os demais. Além da peça principal, em que um pai para em fila dupla na frente da escola do filho para ganhar tempo, há espaço também para os vídeos das youtubers Mari Saad, Lu Ferraes,   Alice SalazarMilla Cabral. Elas ficaram encarregadas de mostrar que maquiagens feitas no trânsito também podem tornar as mulheres ogras.

De acordo com o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), que encabeça o movimento Maio Amarelo, os acidentes podem envolver Fator Humano, Fator Veículo e/ou Fator Via. Interessante saber, no entanto, que 90% deles ocorrem por Fator Humano – falhas que podem envolver desde a desatenção dos condutores até o desrespeito à legislação, como no caso dos típicos ogros do Porto Seguro Auto. Sem dúvidas, estão aí grandes oportunidades para as empresas seguirem colaborando para um trânsito cada vez mais seguro. Assim, todo mundo só tem a ganhar.