Não faz muito tempo que possuir um carro era sinônimo de maturidade e independência, porém, a relação com o carro já não é assim tão próxima. Com isso, serviços de compartilhamento de corridas e “carsharing” têm crescido entre os brasileiros que buscam economia e flexibilidade.

Segundo dados da consultoria Frost & Sullivan, no mundo inteiro, mais de 7 milhões de pessoas usam algum tipo de compartilhamento. O serviço de compartilhamento de corridas aumenta em algumas cidades do país e, graças a esse novo modelo, o trânsito tem sido desafogado e o consumidor está tendo acesso a preços mais justos no transporte.

Plataformas e empresas focadas nesse ramo têm se desenvolvido no país e promovido mudanças no cotidiano do brasileiro. A Blablacar é uma dessas empresas. Fundada em 2006, na França, presente em 22 países e com 45 milhões de usuários no mundo, já é a maior comunidade global de compartilhamento de viagens.

Durante o WeMuv Summit, Ricardo Leite, gerente da Blablacar no Brasil, deu um panorama sobre carros compartilhados e “carsharing” no país. De acordo com Leite, o tempo e a questão cultural é fundamental para que essa opção de transporte seja efetiva no país. “Em países da Europa Ocidental, o carro compartilhado já é uma realidade e é uma opção de transporte como o ônibus ou trem. Estamos há um ano e meio no Brasil e ainda precisamos de tempo para que o brasileiro entenda e se acostume com essa possibilidade. Ainda há muita desconfiança em entrar no carro de uma pessoa que, “em teoria”, você não conhece. O grande papel da Blablacar é justamente esse: fazer o cadastro das pessoas que oferecem caronas, disponibilizar as avaliações dos perfis e gerar mais confiança no processo de compartilhar caronas”, explica.

Outro ponto levantado por ele é a importância da liquidez para alavancar a utilização desse modelo de compartilhamento. “A liquidez também é algo fundamental para o desenvolvimento de “carsharing”. Na Blablacar, sendo uma marketplace, precisamos ter muitas pessoas em ambos os lados para fazer um match eficiente, e leva tempo para desenvolver todo o processo com cada vez mais eficiência e escala”, destaca.

A carona solidária ou “carsharing” é muito positiva do ponto de vista sustentável. Ela gera mais economia para o passageiro, que não necessita possuir um carro para viajar; e diminui as emissões de gases poluentes, afinal, serão menos veículos nas ruas. De acordo com a Blablacar, cerca de 1 milhão de toneladas de CO2 foram poupadas nos últimos 12 meses.

Não parando por aí, Leite destaca ainda que é preciso que uma grande empresa instale o sistema de compartilhamento para perceberem como é economicamente viável aderir a esse modelo. “O carro está parado a maior parte do tempo e está perdendo dinheiro. Precisaríamos de um grande case para que todos vejam o quão bom é compartilhar o carro”, afirma.

Para a Blablacar, ao focar na conscientização com oferecimento de ferramentas em uma plataforma que conecta os condutores e passageiros, é possível entregar mais segurança e, com o tempo, o carro compartilhado pode se tornar uma realidade cada vez mais presente nas cidades brasileiras.